PAPO DE ESPECIALISTA
Felipe Franco responde: você deve treinar todo dia para ganhar massa?
Mais dias na academia nem sempre significam mais músculo. Veja qual frequência realmente funciona para quem quer crescer de verdade!
Publicado em 07/07/2026 às 16:55
Existe uma crença muito difundida entre quem frequenta academia de que quanto mais dias de treino, mais rápido vem o resultado. Essa lógica parece fazer sentido, afinal, dedicação é fundamental para qualquer objetivo. Mas quando o assunto é ganho de massa muscular, a equação não é tão simples assim.
O músculo não cresce durante o treino. Ele cresce depois, na fase de recuperação, quando o organismo repara as microlesões causadas pelo esforço e reconstrói as fibras de forma mais densa e resistente. Ignorar esse processo é um dos erros mais comuns entre quem busca evolução física, especialmente entre iniciantes animados com os primeiros resultados.
Treinar todos os dias não é necessariamente errado, mas depende muito de como isso é feito. Atletas avançados conseguem treinar seis ou até sete dias por semana porque distribuem os grupos musculares de forma estratégica, garantindo que cada região tenha tempo suficiente para se recuperar antes de ser estimulada novamente. Para a maioria das pessoas, porém, esse volume sem planejamento adequado leva ao excesso de treino, à queda de desempenho e, paradoxalmente, à perda de resultado.
Para quem está começando ou tem um nível intermediário de condicionamento, treinar entre três e cinco dias por semana costuma ser a faixa mais eficiente. Nessa frequência é possível estimular os principais grupos musculares com intensidade suficiente e ainda garantir os dias de recuperação que o organismo precisa para responder ao estímulo.
A qualidade do treino importa muito mais do que a quantidade de dias. Uma sessão bem estruturada, com cargas adequadas, progressão ao longo das semanas e execução correta dos movimentos, vai produzir mais resultado do que várias sessões realizadas com o corpo ainda cansado da semana anterior.
O descanso, aliás, é parte do treino. Durante o sono, o organismo libera hormônios fundamentais para o processo de hipertrofia, entre eles o GH. Quem abre mão da recuperação achando que está sendo mais dedicado, na prática está atrapalhando o próprio processo.
Outro fator que define a frequência ideal é o objetivo de cada pessoa. Quem busca ganho de força pode se beneficiar de uma frequência menor com mais intensidade por sessão. Quem quer hipertrofia com boa definição pode explorar frequências maiores com volumes controlados. Não existe resposta universal porque os corpos respondem de formas diferentes, e o acompanhamento de um profissional faz toda a diferença na hora de montar esse planejamento.
O que fica claro é que a consistência ao longo do tempo supera qualquer protocolo de alta frequência sem estrutura. Três dias por semana durante um ano inteiro vai produzir resultados muito superiores a seis dias por semana durante dois meses seguidos de abandono por lesão ou esgotamento.
A frequência ideal é aquela que se consegue manter, que respeita a recuperação do corpo e que permite treinar com qualidade em cada sessão. Mais do que contar dias, o segredo está em fazer cada dia valer.
Fonte: Felipe Franco é fisiculturista, youtuber, empresário, modelo e deputado estadual por São Paulo
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