EMPREENDER NO BRASIL
Insegurança virou custo invisível que pesa no caixa do comércio brasileiro
Prejuízos com furtos passam dos bilhões por ano no varejo e a violência afasta o cliente das ruas, um problema que também é conta do empresário
Publicado em 02/09/2026 às 00:01
Quando se fala em segurança pública, a primeira imagem que vem à cabeça é a do cidadão com medo de andar na rua. É uma imagem verdadeira, mas incompleta. Existe uma outra vítima da violência que raramente aparece no noticiário, e ela tem CNPJ. É o comerciante que chega cedo para abrir a loja e encontra a porta arrombada. É o lojista que precisa decidir entre contratar mais um vendedor ou pagar o monitoramento. É o empresário que fecha mais cedo porque o movimento some quando escurece.
Os números nacionais mostram o tamanho do problema. Levantamento da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas apontou que os prejuízos do varejo com perdas chegaram a 36,5 bilhões de reais em 2024, o equivalente a 1,51% de todo o faturamento do setor. Um estudo recente sobre o custo oculto da violência revelou que 33% dos lojistas brasileiros relatam queda no movimento depois de episódios violentos noticiados, e um em cada quatro precisou restringir horários de funcionamento para reduzir a exposição ao risco. Pense no que isso significa. Loja fechando mais cedo é venda que deixa de acontecer, é funcionário trabalhando menos horas, é cidade mais vazia e, portanto, ainda mais insegura. Um ciclo perverso.
Há ainda o custo que não aparece em pesquisa nenhuma. Cada câmera instalada, cada alarme, cada seguro contratado é dinheiro que sai do bolso do empresário para cobrir uma falha que não é dele. Segurança pública é dever do Estado. Quando o Estado não dá conta, a conta sobra para quem produz, e no fim ela chega ao preço pago pelo consumidor. A insegurança encarece a vida de todos.
O interior paulista ainda vive uma realidade melhor que a dos grandes centros, e é justamente por isso que precisamos agir antes que o quadro se agrave. Cidade segura é vantagem competitiva. O consumidor que se sente tranquilo para passear no centro, olhar vitrine e voltar à noite para jantar movimenta toda a economia local. Preservar essa tranquilidade deve ser tratado como prioridade de desenvolvimento econômico, e não apenas como pauta policial.
E aqui entra o papel do empresariado organizado. Sozinho, o lojista instala a sua câmera e cuida da sua porta. Unido, o setor tem força para cobrar efetivo policial adequado, iluminação pública de qualidade, videomonitoramento urbano e políticas consistentes de prevenção. A Associação Comercial e Empresarial de Lins tem essa responsabilidade e a assume. Seguiremos dialogando com o poder público e defendendo que a segurança seja tratada com a seriedade que o comércio e a população merecem.
Enquanto isso, vale o cuidado no dia a dia. Registre toda ocorrência, por menor que pareça, porque estatística oficial é o que orienta o planejamento das forças de segurança. Crime não registrado é crime invisível para quem decide onde colocar o policiamento. Proteja seu negócio, converse com os vizinhos de rua, participe da sua associação. Segurança se constrói junto.
Fonte: Hélio, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Lins
Notícias relacionadas
Ives Gandra alerta para a dívida que chega a 83% do PIB brasileiro
10/10/2026 às 16:42
Sidney Torres explica decisão do CNJ que facilita inventários em cartório sem ITCMD prévio
09/10/2026 às 11:18
Cuidar dos cabelos é também cuidar da saúde do couro cabeludo
08/10/2026 às 18:05
Mulheres, vocês não precisam enfrentar tudo sozinhas
08/10/2026 às 10:43
Dra. Ivana de Paula: desjudicializar não é afastar o cidadão da Justiça
07/10/2026 às 11:31
Siso sem dor também precisa de acompanhamento?
02/10/2026 às 18:52