EM BAURU
Diagnóstico aponta má distribuição e baixa qualidade das árvores
Audiência Pública trouxe para a Câmara debate sobre Plano Diretor de Arborização Urbana, documento que norteia gestão do tema pelos próximos 10 anos
Publicado em 25/06/2026 às 12:25
Na tarde desta quarta-feira (24/06), a Câmara de Bauru realizou uma Audiência Pública para discutir o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), que está em fase de elaboração.
Pontos essenciais do diagnóstico
Servidor da Secretaria de Meio Ambiente e Proteção Ambiental (Semmab), Roldão Neto foi o responsável por apresentar os dados do diagnóstico da Neofloresta Serviços Ecossistêmicos.
A avaliação fitossanitária realizada revelou que a maioria das árvores em Bauru apresenta sinais de poda inadequada - 83% delas apresentam danos devido ao fator. Além disso, 41% são mudas jovens e 57% têm entre 3 e 6 metros. Nesses casos, as espécimes não cumprem funções ecossistêmicas, apenas paisagísticas.
Roldão acentuou que essas são falhas que precisam ser corrigidas. “Não temos poucas árvores, temos árvores mal cuidadas. E uma das medidas do Plano é rever isso. Mais do que pensar na quantidade de árvores, temos que pensar no potencial de sombra de cada uma delas”, ressaltou em sua fala.
As árvores existentes também são distribuídas de maneira desigual pelo território. Enquanto a média municipal de cobertura arbórea é de 33,5%, alguns setores registram números bem menores. É o caso do Centro da cidade, que registra apenas 5,9% de cobertura.
Outros pontos a serem trabalhados são os conflitos entre a infraestrutura existente e as ações necessárias, como demanda por canteiros maiores, necessidade de poda ou remoção, e atenção ao crescimento da copa das árvores paralela à fiação elétrica, situação que causa riscos.
Diante dos dados levantados, para Roldão, ficou claro que um dos grandes desafios é mudar o paradigma atual e passar a entender a árvore como “uma estrutura essencial no município”.
Assim, entre as conclusões do diagnóstico estão a importância da qualificação de arborização como um todo, com plantio sistemático em áreas com menor cobertura, manutenção preventiva e escolha adequada de espécies por porte e local, garantindo uma diversidade biológica. Também é essencial adequar os passeios e calçadas, trabalhar a conscientização da população e garantir a sustentabilidade financeira, prevendo um Fundo Municipal de Arborização Urbana.
Debate
Após a explanação, os presentes na Audiência Pública puderam fazer suas colocações em relação aos dados apresentados.
O vereador Márcio Teixeira (PL) defendeu que não é necessário esperar a conclusão do PDAU para iniciar o plantio de árvores, que é a ação mais prioritária em sua visão. “Pelo menos plantar nos espaços públicos, nos canteiros, cemitérios, prédios públicos… tem que começar já”, clamou. Ele também expôs preocupações com a falta de compensações com as supressões de árvores e com as grandes árvores que interferem na fiação elétrica.
O vereador Cabo Helinho (PL) ressaltou a importância de ter um Plano Diretor, uma vez que ele pode clarificar a responsabilidade de gestão da Prefeitura, que detém o conhecimento técnico sobre o tema e deve orientar os munícipes. Outro ponto levantado por ele foi a importância de erradicar pragas e espécies invasoras, como a leucena.
O vereador Pastor Bira (Podemos) falou novamente e lembrou que sempre recebe demandas de munícipes em seu gabinete pedindo por supressão de árvores ou reclamando de mobilidade nas calçadas. Por isso, acredita ser essencial um trabalho de conscientização com a população.
As participações continuaram. O diretor do Departamento de Obras Públicas da Secretaria de Infraestrutura, Teo Zacarias, demonstrou apoio ao PDAU. Já o coordenador da Defesa Civil, Marcelo Ryal, pediu atenção à segurança em relação à rede elétrica, aos plantios e às compensações, além de pedir mais caminhões e servidores para reforçar as ações voltadas à arborização.
Na sequência, o professor Luis Pires pontuou que o Plano tem que criar ferramentas que possam ser colocadas em prática. Elas passariam pelo empoderamento cada vez maior da Semmab e por condições financeiras para realizar o plano. A Pastoral da Ecologia Integral da Diocese de Bauru também enviou uma mensagem, na qual afirmou que os interesses dos cidadãos precisam ser vistos com toda a atenção, respeitando seus direitos e necessidades.
Outros munícipes deram continuidade ao debate, levantando dúvidas e deixando sugestões relacionadas ao tema.
O que é o Plano Diretor de Arborização Urbana
Parte do Programa “Bauru Sustentável”, o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) é uma ferramenta estratégica que define o planejamento e a gestão da arborização no município para os próximos 10 anos. Ele busca adequar a arborização aos desafios climáticos, melhorando o paisagismo e a qualidade de vida da população. Segundo a Prefeitura de Bauru, as ações propostas vão servir tanto para intervir na arborização já existente como para expandir áreas verdes.
Roldão Neto explicou que o PDAU traz um diagnóstico técnico e aponta prioridades para a gestão, por exemplo, indicando onde plantar, quais espécies usar, como podar e como reduzir desigualdade de cobertura arbórea entre bairros. O documento também deve se tornar um novo marco legal, atualizando a Lei n.º 4.368/1999, vigente há mais de 25 anos.
“O Plano ainda é uma exigência federal, requerido pelo Plano Nacional de Arborização Urbana, e necessário para aquisição de verbas e emendas específicas do meio ambiente”, complementou.
O trabalho executado pela Neofloresta Serviços Ecossistêmicos está sendo feito por etapas. Uma delas foi a realização de diagnóstico preliminar da situação da arborização urbana no município, cujos dados foram apresentados na Audiência. Na etapa atual, segundo a Prefeitura, estão sendo elaborados o planejamento da arborização urbana e a minuta do Plano Diretor de Arborização.
A última etapa trará a sistematização de todas as propostas - inclusive oriundas da população por meio de participação em consulta pública e audiências - , realização de mais audiências, apresentação final do Plano e sugestão de revisão de legislação. No final, o PDAU deve ser apresentado em formato de Projeto de Lei, que precisa passar pela aprovação plenária na Câmara.
Fonte: Câmara Municipal de Bauru
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